Transgressão impune e vergonhosa

O cruzamento da ciclovia com a R. Dr. Alexandre Gutierrez (onde ela cruza com a Travessa Lange) é diariamente interrompido por carros estacionados irregularmente. A sinalização vertical é fraca e a horizontal é apagada. Além do desrespeito ao ciclista, há o desrespeito ao cadeirante: a guia rebaixada fica totalmente obstruída. Candidatos a prefeito prometem investimentos em ciclomobilidade. Contudo, quem já administra a cidade se nega a tomar uma atitude concreta. Agentes da SETRAN nunca aparecem por ali. Resultado: estamos à mercê dos já tradicionais motoristas inaptos a conduzir ou estacionar um veículo motorizado.

At the Dr. Alexandre Gutierrez Street and a bike lane crossing, near Japan Square (Curitiba city, souhtern Brazil) parking cars obstruct the way of bikers and wheelchair people, everyday. In the middle of a councilor and mayor election campaign, municipality does not care about it. That is one of the several portraits of Curitiba. Citizens are under the mercy of inapt drivers once authorities do nothing.

Pedalada no tempo: DeLorean também vira bike

O preço deixou muita gente de boca aberta.

Em 1984 era lançado o filme “De Volta para o Futuro” (Back to the Future), onde o cientista Dr. Brown (Christopher Loyd) e Marty McFly (Michael J. Fox) usavam um carro esportivo DeLorean (que na época já deixara de ser fabricado) transformado para viajar no tempo. Agora, depois da estréia hollywoodiana da Kuwahara de cross que voou nos céus de E.T. The Extraterrestial (Spielberg), veio o tardio lançamento de outra bike ligada ao cinema americano de alguma forma.

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Modelo Speed: ainda sem informações.

A companhia DeLorean ainda existe e agora negocia, além de peças e DeLoreans usados, as novas bicicletas da marca. Os fabricantes prometem uma bike inovativa para aficcionados, ciclistas casuais e afins. Parecendo um pouco na contramão das tendências que apontam cada vez mais para quadros de alumínio, titânio, carbono e até bambu, a DeLorean escolheu o aço como matéria-prima.

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Transmissão a correia dentada: menos peso, sujeira e manutenção.

Segundo os projetistas, o material proporciona mais suavidade ao pedalar e, ao mesmo tempo, a rigidez necessária para que a força aplicada no pedal não seja desperdiçada em pontos flexíveis ao longo do quadro. O aço também é durável e fácil de consertar. Os fabricantes apostam na marca como um ícone que deve assegurar boa aceitação no mercado.

Fotos: The DeLorean Bike

Por enquanto há três modelos disponíveis, sendo que um deles ainda nem tem fotos no site. O modelo Anyday conta com transmissão por cinta de borracha e carbono (Gates Carbon Belt Drive), três vezes mais durável que as tradicionais correntes de aço, sem o barulho, a graxa e peso delas. O cubo traseiro com 11 velocidades traz o desempenho nas subidas e planícies. Freios hidráulicos completam o conjunto. As rodas são recobertas por um novo revestimento luminiscente que parece ser escuro, mas, quando atingidas pela luz, aparentam estarem ligadas. O selim é italiano (de gel) e o garfo é de carbono. O preço: US$ 5.495,00.

Para os modelos Speed e Cruise, a DeLorean ainda não liberou informações, que devem sair logo.

Nova Iorque lança bikes públicas em julho

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Photografado por Justin Steele para a Bloomberg Businessweek. Clique para ampliar e ler o infográfico.

Da Bloomberg Businessweek

Em julho uma frota de dez mil “Citibikes” será lançada nas ruas de Manhattan e Brooklin, bairros de Nova Iorque. Elas são parte de um novo programa de compartilhamento de bicicletas, parceria do Citibank e Mastercard, que entraram com Us$ 41 milhões e US$ 6,5 milhões, respectivamente. As bikes são manufaturadas na PBSC Urban Solutions, empresa também conhecida como Bixi, baseada em Quebec, Canadá, e que já entregou veículos para 10 programas parecidos em cidades como Melbourne, Boston e Londres.

As fortonas foram concebidas pelo desenhista industrial Michel Dallaire e engenheiros do fabricante de bicicletas Devinci. Segundo o engenheiro chefe da Devinci, Bruno Gauthier, “a bicicleta é muito forte para apenas uma pessoa” e “foi construída para a selva urbana”. Gauthier comparou a bike com um Hummer, jipe norte-americano desenvolvido para ser usado em combate.

Prefeito de Curitiba recebe o troféu “Muy Amigo do Ciclista”.

Os ciclistas da Massa Crítica curitibana, Bicicletada, entregaram ao prefeito Luciano Ducci o “Troféu Muy Amigo do Ciclista”, neste sábado, 31, pela manhã. Sabendo da agenda do prefeito, os cicloativistas aproveitaram a presença da autoridade municipal, e do governador Beto Richa, na inauguração do monumento à atriz Lala Schneider, em frente ao Teatro Guaíra.

Enquanto se esperava a chegada de Ducci e Richa, a mestre de cerimônias percebeu a chegada dos ativistas e lembrou gentilmente, ao microfone, que aquele evento era exclusivamente para homenagear Lala Schneider. Não houve provocações por parte dos ativistas, que permaneceram até o fim do evento e apenas entregaram o irônico troféu. A entrega da pequena taça simbolizou a indignação dos ciclistas com a falta de atenção do poder público à precária mobilidade urbana. Assim que chegou, Beto Richa não demorou a se aproximar dos ativistas e ser fotografado pela sua assessoria conversando sobre mobilidade.

Segurança dialética

Um dos seguranças do governador andou por entre os ativistas puxando conversa e sugerindo maneiras de aumentar a eficiência do movimento quando da abordagem às autoridades. Dizendo-se também ciclista, o segurança orientava os manifestantes para que criassem um projeto formal (inclusive projetando soluções viárias) e entregassem oficialmente ao governador e ao prefeito. Também sugeriu que o grupo se valesse da mídia para pressionar os governantes.

Para o bem intencionado segurança, seria interessante saber que são inúmeros os projetos, documentos, reuniões, conversas, registros de imagens, manifestações e participações dos ciclistas no que diz respeito a esse assunto. Os manifestantes da mobilidade por bicicleta são inventivos, inovadores, e apresentam soluções o tempo todo. Quem fica no marasmo são os governos que, quando muito, aparecem com iniciativas paliativas e descartáveis, como o fiasco da ciclofaixa de domingão no chamado Circuito Ciclístico de Curitiba. As autoridades não entendem a bicicleta como transporte, mas são especialistas em maquiagem urbana.

Stereo Toaster nutre a alma e desinfeta os ouvidos

Perohê: quero a minha mãe!

Quero falar  do Stereo Toaster Café, uma legítima “toca”. Lugar pequeno e aconchegante, com atendimento impecável e que serve uma comida honesta, sofisticada e caseira ao mesmo tempo. Eu passei em frente ao estabelecimento muitas vezes, sem parar nunca. Dessa vez deu certo de almoçarmos lá. Todas as quartas e sábados são servidos pratos, além das tradicionais baguetes. O nome, Stereo Toaster, vem de uma webradio com downloads autorizados, ramo original do dono do Café. A música ambiente, nesse caso não poderia decepcionar. Dessa vez ouvimos só Beatles, em versões que vão de Joan Baez (pra quem não conhece é a esposa do Bob Dylan) a U2, ou de Eddie Vedder (Pearl Jam) a versões country. O som lavou a minha alma e me desinfetou da porcaria absorvida à força nos dias de carnaval na praia (leia-se Michel Teló e outras barbaridades que desafiam a integridade dos meus tímpados). De entrada um caldo de feijão muito saboroso, decorado com gergelim torrado e fios de cenoura crua em um prato. Me pergunte se eu não apertei o dedo contra o gergelim e o levei à boca. Delícia. Os fios de cenoura também não escaparam. Para abrir o apetite, um Jack Coke: uma dose de Jack Daniels com Coca-Cola (sacrilégio para alguns).

Capellini do Stereo Toaster: enche os olhos e a pança.

Eu e minha esposa experimentamos Perohê (Pierog para uns, dependendo da origem) e Capellini à Bolonhesa. O Perohê é diferente daquele que eu conhecia, pastelzinho achatado. Esse tem forma de bolinho, é mais sequinho e muito mais saboroso. O prato trouxe duas fatias de posta branca (carne de panela) ao molho ferrugem, brócolis, abobrinha e cenoura, além de arroz. Um copinho adicional de molho ferrugem vem separado, para derramar onde se deseja. Uma delícia. Lembrei da comida da minha mãe, mas feita de modo sofisticado e simples ao mesmo tempo. A apresentação do prato é fotográfica. Daí eu querer fazer umas imagens para blogar. Irresistível.

O Capellini é um spaguetti bem fininho e veio com um molho de sabor peculiar que também lembrou lá em casa. Mas até agora não consegui identificar. Dá até vergonha de perguntar tanta coisa para o dono da casa. Seria muita indelicadeza pedir uma lista de ingredientes e eu já havia perguntado demais.

Pudim de leite veio com lâminas de amêndoas e folhinhas de hortelã.

Para fechar, e nem havia mais espaço na minha cavidade estomacal, Pudim de Leite e Brownie. Incrível como, outra vez, tudo lembrou lá em casa. O Brownie tinha o gosto exato da Nega Maluca feita pela minha mãe e minha irmã. E o Pudim de Leite também era muito parecido, só que melhor, e eu explico: não era tão doce, não era enjoativo e a colher não grudava no doce, como acontece em outros estabelecimentos. Era todo furadinho, feito queijo, como deve ser.

Esse brownie (com sorvete) era da mesa vizinha. O nosso não deu tempo de clicar.

No fim, depois de um suco de laranja, água mineral, o caldo, os pratos principais, a sobremesa, duas doses de Jack Coke, um espresso com direito a biscoitinho e água com gás, veio a conta e três balas: R$ 70,00 com o serviço. Serviço bom, lugar limpo, comida honesta, música nota 1000. Não estou ganhando nada pra escrever isso e nem estou pleiteando um desconto da próxima vez. É que merece destaque aquele que faz um bom trabalho e o Stereo Toaster, com seu balcão em forma de violão gigante e arandelas de tom-tom e pratos de bateria, leva o meu Grammy Award.

Fica na R. Alferes Ângelo Sampaio, 1671, Batel. Veja mais em http://www.stereotoaster.com.br. Liga lá no (41) 3319-5983. Um abraço ao Luiz Ferreira, dono do estabelecimento, que é muito bem educado e atencioso. Parabéns à esposa dele, quem não     tivemos a sorte de encontrar no dia. A mulher é a chef responsável, mas estava cursando sua pós-graduação naquele momento. Dá pra entender melhor por que o lugar tem tanta qualidade. E há quem diga que educação não enche barriga.