Mais de um terço dos eleitores não interferiu no primeiro turno da eleição para presidente

Fabio Riesemberg

Ningúem comenta nada disso, mas, no primeiro turno da eleição para presidente, houve mais de 6 milhões de votos nulos, 3,4 milhões de brancos e 24,6 milhões de abstenções.Os votos nulos (6,02%),  junto com os brancos (3,42%) e as abstenções (estarrecedores 24,2%),  a conta chega aos 33,6%. Quer dizer, mais de um terço dos votos na eleição presidencial deixaram de surtir algum efeito sobre os resultados. Mais de um terço dos brasileiros simplesmente não interferiram no futuro do país, por um motivo ou por outro. É verdade que o voto nulo é um voto de protesto e , equivocadamente, não é capaz de anular uma eleição. Mas também é importante notar que o grau de inconformismo, de indiferença e de desinteresse do eleitor é bem representativo. Somados, o inconformismo, a indiferença e o desinteresse tornam uma eleição pouco legítima.  Quanto à definição de voto nulo, tema que a Justiça Eleitoral não faz questão de deixar claro, muito se confunde. O voto nulo pode ser aquele em que o eleitor digita propositalmente um número errado na urna eletrônica e depois confirma. Ou pode ser um voto que foi anulado por conta de um crime ou irregularicade eleitoral. São informações desse tipo que o eleitor tem o direito de entender. A imprensa, na maioria das vezes em conluio com o poder e objetivando gordas verbas oficiais após a eleição, também não se esforça em informar e esclarecer. Então vamos lá: se o voto nulo não surte efeito, a Lei Eleitoral deve ser modificada de forma o faça efetivamente.  Note, caro leitor, que aqui só estão sendo considerados os votos para a Presidência da República. Há muitos votos nulos e brancos desse mesmo eleitor para os outros cargos. O investimento em educação precisa ser alto, de forma a instruir o eleitor sobre a importância de comparecer às urnas para o seu próprio bem, mas consciente dessa diferenciação entre voto nulo e nulidade do voto. A Lei precisa definir claramente o que é uma coisa e o que é outra.  O voto em branco tem que ser analisado com mais profundidade e não ser algo nebuloso e suspeito. O eleitor não pode ser engambelado diante do painel eletrônico das urnas. Grande parte dos brasileiros nem tem conta em banco e mal sabe lidar com um caixa eletrônico, quem dirá votar corretamente e com segurança. Então, quem vai ser o primeiro parlamentar a apresentar uma projeto de lei que conserte tudo isso? Alguém tem coragem? Tiririca, você entendeu o que está escrito aqui? “Depois eu te explico”.

Clique aqui para saber mais detalhes sobre essa confusão imensa que se faz com a questão do voto nulo.

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