Alagoanos driblam desemprego pedalando

Vendedores apostam em vários tipos de bike e consumidores aproveitam as novidades

Da Gazetaweb – com Jobison Barros

 

Leonardo, Lucas, Carlos, Roberto, Clebson, Marcos, João e Alexsandro são exemplos evidentes de garra e determinação quando o assunto refere-se à negociação em um veículo rápido e de duas rodas para obter o sustento da família, mas ponderam: exige um esforço físico. Até um funcionário que presta serviços gerais pela prefeitura convive com esse veículo. Há 28 anos, Eronaldo Rodrigues pedala de sua residência, situada no conjunto Cidade Sorriso 2, no Benedito Bentes, até a Superintendência Municipal de Controle e Convívio Urbano (SMCCU), no bairro do Farol. Ele sente-se cansado, mas prefere optar por este meio a pagar R$ 2,10 em outro transporte, onde não se sabe quando ocupará uma cadeira confortavelmente. “Além disso, já estou acostumado com o batente diário. Tá bom assim” – conformou-se o trabalhador.

Criatividade: alagoanos usam bicicleta para vencer o desemprego (Foto: Jobison Barros)

Entretanto, a realidade encontrada pela reportagem da Gazetaweb concentrou-se em procurar explicações acerca da bicicleta como meio de renda. Trabalhadores que dependem exclusivamente dela para negociar seus produtos, entregar mercadorias em domicílio ou anunciar empresas. De acordo com o economista Cícero Péricles, a opção pelo uso da bicicleta deve-se a uma estratégia de sobrevivência adequada a seu potencial de criatividade, uma vez que os recursos financeiros apresentam-se escassos.

Segundo ele, há uns seis anos, começou-se uma investida nesse veículo, tendo em vista a combinação entre preço alto da passagem e aumento de renda. “A bicicleta surgiu para concorrer com a passagem de ônibus. A prestação em 3x de uma bicicleta nova é mais barata do que a passagem do coletivo em um mês. Além disso, houve elevação da renda das classes C e D, que ganha até três salários-mínimos”.

Mercado secundário

Alternativa para comerciantes e facilidade para clientes. Este foi outro ponto elencado pelo economista. Ele explicou que uma loja compra a bicicleta usada, restaura e vende o veículo a preço baixo. “O sistema de crédito aumentou para facilitar a compra. Não podemos nos esquecer da consignação. O cliente vai ao banco, tira um empréstimo e quem paga depois é a firma, descontando do salário. Na indústria, o produto é fabricado para ter uma vida útil de cinco a seis anos”. Cícero afirmou que, a cada moto que se insere no mercado, surgem cinco novas bicicletas.  Péricles comentou que, atualmente, há várias designações de mercado para a bicicleta. Entre elas, bike snack, bike door, bike sound, bike delivery e bike taxi.

Potencialidades

E você, leitor, lembra-se dos nomes mencionados no início da matéria? Pois é, Leonardo da Silva é um deles e trabalha, há três anos, como entregador de água e outras mercadorias do Açougue e Avícola Santos, localizado no Benedito Bentes II. Ele enquadra-se na categoria bike delivery. O jovem Lucas Barbosa trabalha, há dois meses, no bairro, entregando quentinhas em residências por meio da bike delivery.

Na bike sound, quem aparece é Carlos Eduardo do Nascimento. Ele percorre conjuntos como Cidade Sorriso, Salvador Lyra, Cleto Marques Luz em uma bicicleta com caixas de som acopladas anunciando empresas, entre elas, a A2 Comunicação. “É um veículo bom e ajuda a fazer a propaganda da empresa. Agora, tem que andar devagar para o público ouvir” – ressaltou. Outdoors móveis:  há seis meses, Roberto da Silva realiza o trabalho por meio de propagandas na bike door.  “Quase tudo é ótimo. O que é ruim é o sol forte, mas a gente dá um jeito” – comentou.

Clebson Guedes e Marcos dos Santos utilizam a bike snack para o sustento da família. Eles vendem coxinha, enroladinho, folhado, risole, refrigerante e suco. “A gente vende muito e vende rápido com a bicicleta”, disse Clebson. E não para por aí. João Walisson e Alexsandro da Silva também utilizam a mesma bike, mas Walisson vende munguzá, sopa e café no Centro da cidade, onde atrai inúmeros clientes. “Eu faço tudo com a bicicleta e, ainda, vou pedalando pra casa”, afirmou.

Com seu caldinho de feijão, Alexsandro conquista o público que transita pelas ruas do comércio. Ele reside no Bom Parto e vende no Centro e nas praias. “Sem isso, eu não seria nada. Dá para manter a minha família e ajeitar a bicicleta” – considerou.

Bike Taxi

No Benedito Bentes, o Pátio Maceió abriu as portas e o bike taxista instalou-se em frente ao shopping. Novidade para pessoas que dependem de ônibus e não pretendem andar de moto. O profissional aguarda os clientes, cobra passagem de R$ 1,00 e marca hora para levar e buscar o passageiro em seu destino.

A Gazetaweb tentou localizá-lo, mas populares afirmaram que a demanda é grande e torna-se complicado encontrá-lo na região. Quem não aprecia muito a ideia é a concorrência: os moto taxistas. Mas, fazer o quê? É a lógica de mercado, ou melhor, é a criatividade de quem dispõe de poucos recursos financeiros para sobreviver na vida.

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