ARTIGO – Menos preconceito, mais coragem

Erich Vallim Vicente – editor chefe do site A Tribuna

Os participantes da “Bicicletada”, sábado de manhã, desceram a rua Governador Pedro de Toledo – a principal via do comércio central e, portanto, de maior movimentação popular – para reivindicar “menos carro, mais bicicleta” no trânsito de Piracicaba. Saindo da Estação da Paulista até o Largo dos Pescadores, a cada cruzamento, incluindo a entrada da Ponte do Mirante com a avenida Armando de Salles Oliveira, a via era parada por, pelo menos uma virada do semáforo para levar esta mensagem à população. Causaram irritação a quem estava trabalhando naquele dia, sim, sem dúvida. Mas também receberam muito apoio até de quem estava sendo “atrapalhado” pela manifestação.

Organizada para marcar o início da I Semana de Mobilidade de Piracicaba – cujas atividades seguem até o próximo domingo, 25 –, a “Bicicletada” foi uma forma criativa para levar às ruas a discussão a respeito da mobilidade. Além do grito de guerra, típico de mobilizações, os manifestantes também entregaram rosas para alguns motoristas, demonstrando o objetivo de não estar ali simplesmente para brigar, mas, acima do que possa apenas parecer intrigas, demonstrar que há algo grave para ser resolvido no trânsito. Claro está, cada vez mais, que o modelo centrado no veículo motorizado, particular e cada vez mais individualizado, não é sustentável, e cria uma bolha de problemas sociais.

Durante a “Bicicletada”, ficou claro que alguns dos principais motivos sobre os quais é baseada a defesa em torno do carro – como, por exemplo, de que a topografia de Piracicaba impossibilita o uso da bicicleta – são não apenas mentirosos como têm pouca ressonância entre os adeptos desta alternativa. Para começar, o que mais causa medo não são as subidas e descidas, mas o ímpeto de condutores desleais e agressivos em não enxergar o ser humano como pilar de tudo aquilo que se move na malha viária.

A mensagem simplista “menos carro, mais bicicleta” talvez não traga muitas conclusões a respeito da problemática, mas indica que há um caminho que precisa ser percorrido, onde os paradigmas devem ser revistos e novas possibilidades precisam entrar na pauta de debates, na agenda pública, para que não sejamos todos julgados por omissão num futuro próximo. A bicicleta talvez não seja “a” solução, mas pode ser uma delas, assim como o transporte coletivo, o incentivo à carona, à caminhada ou, até, patins, skate, patinete etc. também podem funcionar. As soluções não são tão claras, de fato, mas elas precisam ser encontradas, delineadas, e, para isso, é necessário coragem.

Coragem, primeiro, em não tratar todas estas alternativas citadas como mero desejo de uma “meia dúzia de ativistas”, como é comum ouvir quando o assunto chega aos círculos políticos. E, desta forma, eliminar alguns preconceitos relacionados ao tema. Entendendo esta relevância, desenvolver políticas públicas e equipamentos eficazes para garantir outras formas de mobilidade, levando em consideração a característica urbana, a segurança do cidadão, como direitos e deveres de todos os condutores, sejam eles de veículos motorizados ou não.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s